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Contratos de Arrendamento Comercial (Não Habitacional) em Portugal

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Requisitos para contratos de arrendamento comercial (não habitacional) em Portugal ao abrigo do Art. 1069.º do CC e do NRAU: forma escrita obrigatória, registo do Modelo 2, Imposto do Selo, requisitos de Registo Predial para arrendamentos superiores a 6 anos, e a atualização de 2025 sobre o registo pelo arrendatário.

Melvin Prince
7 min de leitura
Verificado May 2026Portugal flag
PortugalNRAUB2BContrato de locaçãowritten form

Aviso Legal

Este conteúdo é apenas para fins informativos e educacionais gerais. Não constitui aconselhamento jurídico e não deve ser considerado como tal. As leis mudam frequentemente — sempre verifique os regulamentos atuais e consulte um advogado licenciado em sua jurisdição para obter aconselhamento específico para sua situação. Landager é uma plataforma de gestão de propriedades, não um escritório de advocacia.Informações verificadas pela última vez: May 2026.

Os contratos de arrendamento comercial (não habitacional) em Portugal são regidos pelo Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU, Lei n.º 6/2006, em vigor desde 27 de junho de 2006, com as suas sucessivas alterações) e pelo Código Civil Português. O NRAU aplica-se a todos os arrendamentos de imóveis urbanos, incluindo escritórios, unidades comerciais, restaurantes, armazéns e instalações de serviços. O arrendamento rural (arrendamento rural) é um regime distinto.

A regra mais fundamental é clara: todos os arrendamentos urbanos devem ser celebrados por escrito. Não existe isenção de "forma livre" no direito do arrendamento urbano português.

1. Forma Escrita Obrigatória (Art. 1069.º do CC)

O Artigo 1069.º do Código Civil é claro e inegociável: todos os arrendamentos urbanos — sejam habitacionais ou comerciais — devem ser celebrados por escrito. Um contrato de arrendamento comercial puramente verbal é juridicamente deficiente e não pode ser executado nos tribunais portugueses nem registado junto da Autoridade Tributária.

Elementos práticos de um contrato de arrendamento comercial escrito válido incluem:

  • Identificação completa de ambas as partes com os seus números de identificação fiscal portugueses (NIF para pessoas singulares, NIPC para empresas).
  • Descrição precisa do imóvel arrendado (artigo matricial, freguesia, piso, área em metros quadrados).
  • Uso permitido declarado — a atividade comercial para a qual o imóvel será utilizado, que deve estar em conformidade com a licença de utilização municipal atual (licença de utilização).
  • Valor da renda, datas de pagamento, moeda e fórmula de indexação aplicável.
  • Duração e termos de renovação.
  • Termos da caução e/ou garantia bancária.

2. Registo Fiscal: Modelo 2 e Imposto do Selo

Todos os contratos de arrendamento comercial em Portugal devem ser registados junto da Autoridade Tributária (AT):

  • Declaração Modelo 2: O senhorio deve submeter o Modelo 2 (Comunicação de Contrato de Arrendamento) através do Portal das Finanças até ao final do mês seguinte ao início do arrendamento.
  • Imposto do Selo: No momento do registo, é devido o Imposto do Selo correspondente a 10% de uma renda mensal. Esta regra aplica-se tanto a arrendamentos habitacionais como comerciais.
  • Atualização de 2025 — Autoregisto pelo Arrendatário: Ao abrigo da Portaria n.º 106/2025/1, caso o senhorio não proceda ao registo do contrato, o arrendatário tem agora o direito legal de registar o contrato de forma independente no Portal das Finanças. Isto protege a posição jurídica e o histórico de conformidade do arrendatário.

3. Registo Predial: Obrigatório para Arrendamentos Superiores a 6 Anos

Para contratos de arrendamento comercial com duração superior a 6 anos, o registo na Conservatória do Registo Predial é legalmente exigido — não sendo apenas uma recomendação:

  • Um contrato de arrendamento comercial de longa duração não registado pode não ser oponível a um novo comprador do imóvel. Em caso de venda, o novo proprietário poderia, potencialmente, contestar o direito de permanência do arrendatário.
  • O registo garante que o arrendatário possui um ius ad rem (direito real) que vincula qualquer proprietário subsequente do imóvel.

4. Liberdade Contratual nos Termos do Arrendamento Comercial

Dentro do quadro legal obrigatório, as partes em contratos comerciais em Portugal gozam de ampla liberdade contratual:

TópicoRegra Geral
Indexação de RendasPode ser vinculada a qualquer índice acordado (ex: IPC, IHPC ou uma percentagem fixa)
Triple Net (NNN)Permitido — os arrendatários podem assumir despesas de condomínio, seguros e IMI
Cláusulas de RescisãoPermitidas se redigidas explicitamente; devem especificar as condições de acionamento e eventuais penalizações
CauçãoNão pode exceder o valor correspondente a duas rendas (Art. 1076.º, n.º 2 CC)
Alteração do Fim a que se DestinaRequer consentimento do senhorio e, dependendo da natureza da alteração, uma comunicação municipal

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Perguntas Frequentes

Quais são as principais leis de arrendamento em Portugal?

As leis de arrendamento em Portugal são regidas principalmente pelo Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU). Alterações legislativas recentes em 2026 introduziram novos incentivos fiscais para rendas "moderadas", ao mesmo tempo que simplificaram o processo de atualização anual. Este guia aborda os requisitos de conformidade essenciais para proprietários e senhorios.

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Qual é o processo legal de despejo para senhorios em Portugal?

O processo de despejo em Portugal exige que os senhorios sigam procedimentos legais formais. Os fundamentos válidos incluem, tipicamente, a falta de pagamento de rendas, violações do contrato de arrendamento ou a necessidade do imóvel para habitação própria do senhorio. Os senhorios devem fornecer uma notificação por escrito adequada, respeitar os períodos de cura exigidos e podem necessitar de obter uma ordem judicial ou do tribunal. O despejo por meios próprios é, em regra, proibido.

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Quais são os limites e tetos para o aumento de rendas em Portugal?

Portugal possui regras específicas que regem quando e como os senhorios podem aumentar as rendas. Estas regras podem incluir limites à percentagem de aumento, períodos mínimos de pré-aviso e restrições quanto à frequência. Os senhorios devem cumprir todos os regulamentos aplicáveis ao aumentar a renda em contratos de arrendamento existentes.

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Quais são as regras sobre cauções e prazos de devolução em Portugal?

Portugal possui regras que regem o montante que os senhorios podem cobrar a título de caução, a forma como estas devem ser detidas ou protegidas e o prazo para a sua devolução após o termo do contrato. Os senhorios devem fornecer extratos discriminados de quaisquer deduções e cumprir todos os prazos legais para evitar penalizações.

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Quais são os requisitos obrigatórios para contratos de arrendamento em Portugal?

Os contratos de arrendamento em Portugal devem estar em conformidade com as leis nacionais e locais aplicáveis. Os elementos obrigatórios incluem, tipicamente, a identificação de ambas as partes, a descrição do imóvel, o valor da renda e os termos de pagamento, detalhes da caução, a duração do contrato e a repartição das responsabilidades de manutenção. A forma escrita pode ser exigida para certos tipos ou durações de arrendamento.

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Quais são as obrigações de manutenção e reparação dos senhorios em Portugal?

Os senhorios em Portugal são, em regra, obrigados a manter os imóveis arrendados em condições de habitabilidade, assegurando que a estrutura, canalizações, sistemas elétricos e serviços essenciais se encontram em bom estado de funcionamento. A repartição específica das responsabilidades de manutenção entre senhorio e inquilino deve estar claramente documentada no contrato de arrendamento.

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Quais são as regras sobre taxas de atraso e penalizações para imóveis arrendados em Portugal?

Portugal possui regras específicas relativas a taxas de atraso e penalizações por rendas em atraso. Estas podem incluir períodos de carência obrigatórios, limites aos montantes das taxas de atraso e restrições sobre a cobrança de juros. As cláusulas sobre taxas de atraso devem estar claramente estipuladas no contrato de arrendamento e devem cumprir os regulamentos locais para serem exequíveis.

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Que divulgações sobre o imóvel são os senhorios obrigados a fazer em Portugal?

Os senhorios em Portugal devem divulgar informações relevantes sobre o imóvel aos potenciais inquilinos antes da assinatura do contrato. As divulgações obrigatórias incluem, tipicamente, defeitos materiais conhecidos, riscos ambientais, histórico de danos anteriores e quaisquer condições que possam afetar o uso e fruição do imóvel pelo inquilino.

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